RACISMO RECREATIVO – Novo artigo de Demétrius Faustino

RACISMO RECREATIVO

 

Demétrius Faustino

 

Como uma forma de preconceito e discriminação que se manifesta em atividades sociais e de lazer, o racismo recreativo tem se expandido pelo mundo em várias esferas, e principalmente na do futebol.

Há tempos que a violência e a criminalidade contra pessoas em todo o mundo, vivem momentos extremamente agudo e exacerbado e a impunidade é fator provocante para tal. E quando o ingrediente trata de pessoas negras, indubitavelmente contribui prontamente para o desenlace de episódios dantescos. 

E dentro do futebol, e de um exemplo clássico, é de se indagar, qual seria o motivo de tão intolerante campanha racista, ao jogador de futebol Vinícius Júnior, que atua na Espanha. Basta citar, pois já é de conhecimento, que no dia do clássico Real x Atlético, pelas quartas de final da Copa do Rei (ocorrido em 26.01.2023), um boneco preto com a camisa 20 – número do uniforme do jogador – apareceu pendurado pelo pescoço em uma ponte de Madri.

É uma campanha, que se diga de passagem, ostensiva e frequente, e absolutamente repugnantes e inadmissíveis por parte de torcedores. Sem esquecer dos gritos racistas de “você é um macaco, Vinícius, você é um macaco”, dirigidos ao brasileiro. É um triste fato que ainda resiste apesar dos discursos de igualdade dentro do futebol.

E o que é estarrecedor: Tais ofensas não têm ensejado punições por parte da Real Federação Espanhola de Futebol. Na verdade, estão infelizmente “lavando as mãos” no que diz respeito a tais incidentes.

Ainda bem que o nosso Vini Jr. tem demonstrado, apesar da idade, formidável equilíbrio e nobreza diante de tão horrenda e inaceitável campanha racista da qual tem sido alvo, pelo simples fato de ser negro. Igualmente são vítimas João Alberto (impiedosamente espancado por seguranças privados em um estacionamento de um hipermercado) e Moïse (espancado até a morte no dia 24 de janeiro, depois de cobrar o pagamento de duas diárias atrasadas no quiosque onde trabalhava na praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio), em aspectos obviamente distintos.

É preciso reagir como fez o jogador Neymar Jr. denunciando o racismo dentro do campo de jogo. O ofensor, o zagueiro espanhol, Álvaro González Soberón, teria desferido várias provocações racistas contra o jogador brasileiro no jogo entre PSG e Olympique de Marselha pelo campeonato francês, embora não tenha sido punido. 

As injustiças lamentavelmente se mantêm vivas e presentes à luz do dia e na calada da noite. Aliás, há mais de 100 anos que tentam excluir jogadores negros do futebol. Entre 1921 e 1922, infelizmente, após recomendação do então presidente, o paraibano Epitácio Pessoa, apenas atletas brancos representaram o Brasil, pela seleção.

Ações e mais ações afirmativas já foram debatidas e aprovadas no Congresso e sancionadas pela Presidência da República, assegurando espaços de poder para negros, mas a ideia de democracia racial, continua falsa.

João Pessoa, maio de 2023.