O SONHO QUE VOLTOU A CANTAR
Demétrius Faustino
A noite caiu sobre a América do Norte, mas, no Brasil, ninguém quis dormir cedo. Em cada casa, em cada esquina, em cada tela iluminada, havia um coração vestido de verde e amarelo. Quando a bola rolou diante do Haiti, não estava em jogo apenas uma partida. Estava em campo a esperança de um país acostumado a transformar futebol em poesia.
A vitória por 3 a 0 trouxe mais do que três pontos. Trouxe confiança. Depois da estreia cercada por dúvidas, a Seleção mostrou sinais de crescimento. Vinícius Júnior brilhou mais uma vez, Matheus Cunha encontrou os caminhos do gol e a equipe de Carlo Ancelotti deu ao torcedor aquilo que ele mais desejava: motivos para acreditar.
Mas Copa do Mundo é uma estrada longa. Nenhum campeão levanta a taça em junho. Os títulos são construídos passo a passo, jogo após jogo, superando dificuldades que surgem quando a competição entra em sua fase mais cruel. O Brasil agora olha para frente, sabendo que a classificação está bem encaminhada, mas que os verdadeiros testes ainda estão por vir.
E o futuro?
O futuro desta Copa parece desenhar um roteiro fascinante. Há seleções tradicionais mostrando força. A Alemanha impressiona pelo poder ofensivo. A Inglaterra surge embalada. A Argentina mantém sua competitividade. A França continua entre as favoritas. Em um torneio tão equilibrado, qualquer distração pode custar um sonho de quatro anos.
Quanto ao Brasil, o destino dependerá de sua capacidade de transformar talento em regularidade. A equipe possui jogadores capazes de decidir partidas em um único lance. Possui experiência no banco de reservas. Possui camisa pesada. O que ainda busca é a consistência dos grandes campeões.
Talvez seja cedo para falar em hexacampeonato. Mas também é cedo para duvidar.
Porque existe algo que a história das Copas ensina: quando a Seleção Brasileira encontra confiança, o mundo inteiro passa a observá-la com respeito.
E assim segue a caminhada. Entre a prudência e a esperança. Entre a realidade e o sonho.
O Brasil venceu o Haiti. O placar foi de 3 a 0. Mas, para milhões de brasileiros, a maior vitória da noite foi outra: a de voltar a acreditar que a taça pode, mais uma vez, encontrar o caminho de casa.
João Pessoa, junho de 2026.
