O DIA DA INFÂMIA – Confira o novo artigo de Demétrius Faustino

O DIA DA INFÂMIA

 

Demétrius Faustino

 

O tema ainda está quente, e, portanto, vamos lá!

As manchetes de como os jornais internacionais noticiaram a tentativa de golpe no Brasil ficarão para a história: “Teste de golpe”, “Vírus do Trumpismo”, “Populacho de Bolsonaro”, “Fraude eleitoral sem nenhuma evidência”, “Brasil sitiado”. Lindo né!

Agora à tragédia.

Com fortes indícios de que as condutas dos terroristas só puderam ocorrer mediante participação ou omissão dolosa, é de se concluir que estas se revelam como verdadeira “tragédia anunciada”, e refletem um pensamento primitivo.

Tais fatos não deixa mais nenhuma dúvida que está em curso um plano sinistro de quebra da democracia no Brasil, e cremos, auxiliado por colaboracionistas embutidos dentro das Forças Armadas, das polícias militares, e da máquina pública, seja distrital, seja estadual, seja federal. Estão presentes todas as evidências. Aliados a estes, estão pessoas falsamente rotuladas como manifestantes descontentes com os rumos do novo governo e do processo eleitoral que o legitimou, e num patriotismo falso que ama a bandeira e odeia a Constituição.

A suada e efetiva volta da democracia em 1989 deve resistir à essa barbárie, até porque, há uma evidente reação internacional de apoio ao Brasil, no que ajudará a consolidação democrática e a isolar os radicais inconformados, despreparados para viver sob a democracia. Ou seja, o ensaio de golpe contra o novo governo estimulou uma inédita reação evidente de apoio às instituições democráticas, vindas de todos os lados, internamente e do exterior. 

Atentar contra a democracia, contra o Estado de Direito, contra as Instituições, contra o patrimônio público, através de atos terroristas, de hediondez evidente, é crime gravíssimo a merecer adequada punição aos autores da façanha, ou como preferimos chamar de “massa robotizada”, principalmente aos financiadores dessa conduta asquerosa, porquanto paz e amor não derrotam o terrorismo. Quem pagou os ônibus? Quem custeou a alimentação e o alojamento? Quem respondeu pela convocação dos indignados? a quem serviu a tragédia? Logo, logo, saberemos.

Na visão do Diretor para América Latina da Open Society Foundations Pedro Abramovay, “o Brasil conseguiu em grande medida sobreviver à crise democrática dos últimos quatro anos não porque suas instituições funcionaram normalmente, mas sim porque, cientes dos ataques constantes à democracia vindos diretamente do presidente da República e de seus sustentáculos econômicos e militares, o Poder Judiciário assumiu funções e exerceu uma força no limite de sua autoridade Constitucional. Isso foi necessário principalmente pela cumplicidade da Procuradoria-Geral da República que silenciou o Ministério Público, afetando o equilíbrio dos freios e contrapesos da República”. 

E não venham com verborragias tentando justificar o injustificável, passando a adotar a tática de culpar supostos infiltrados de esquerda pela destruição, pois fanáticos dessa natureza não engana mais ninguém, nem mesmo aos seus devotos.

Somente o rigor da lei e um povo organizado, participativo e mobilizado poderão defender a democracia e as instituições, pois o que se viu em Brasília no dia 8 de janeiro foram verdadeiras cenas de terror.

Sem olvidar que não deixa de ser deplorável a atitude de políticos bolsonaristas paraibanos ao sinalizar apoio a esses atos antidemocráticos, sob o frágil pretexto de defender a democracia. Estes, entraram na contramão da História.

Um viva a Alexandre de Moraes!

João Pessoa, janeiro de 2023.