O BELO FAZ 94 ANOS
Demétrius Faustino
Há clubes que são mais do que times. São memórias vivas, são capítulos da história de um povo, são símbolos capazes de unir gerações em um mesmo canto. Carregam em si não apenas vitórias e derrotas, mas a alma coletiva de uma cidade inteira. O Botafogo da Paraíba, o nosso Belo, é exatamente isso: uma paixão que não se mede por números na tabela, mas pela intensidade com que pulsa no coração de quem veste o preto e branco, aliado a estrela vermelha.
Noventa e quatro anos não se medem apenas em títulos, vitórias e conquistas. Medem-se em histórias, e o Belo é feito delas em abundância. Histórias que brotam das arquibancadas como se cada degrau do Almeidão fosse um livro aberto, escrito a muitas mãos, com suor, lágrimas e esperança.
São histórias de vozes roucas que ecoam sob a noite pessoense, quando o grito de gol parece atravessar a cidade inteira e chegar ao mar. São bandeirões estendidos sob o sol escaldante, tremulando como estandartes de um exército apaixonado. São crianças que chegam pela primeira vez de mãos dadas com o pai ou a mãe, encantadas com o espetáculo das cores, dos cantos e da vibração que só o futebol desperta.
São também lágrimas derramadas em finais sofridas, em pênaltis perdidos, em derrotas que doeram fundo, mas que nunca foram capazes de apagar a chama da paixão. Porque, no fundo, até a dor de ser Belo ensina a resistir.
E são gargalhadas abertas nas viradas improváveis, quando o impossível parece se curvar diante da fé da torcida. É o abraço apertado em desconhecidos, transformados em irmãos pela simples coincidência de vestirem as mesmas cores. É a sensação de que, por alguns instantes, a vida se resume ao campo, ao placar, ao coração batendo forte.
Noventa e quatro anos são tudo isso: não um número frio em um calendário, mas uma coleção de emoções que, somadas, contam a verdadeira grandeza do Botafogo da Paraíba. O Belo não é apenas futebol: é memória, é identidade, é o fio invisível que une gerações inteiras em torno de uma mesma paixão.
O Belo é poesia no gramado, mas também é suor de quem vestiu essa camisa pesada. É o grito de campeão brasileiro da Série D em 2013, que devolveu ao torcedor a certeza de que a paixão nunca foi em vão. É a lembrança das campanhas históricas, dos craques que marcaram época e dos jogos que viraram lenda. É também a resistência de uma torcida que nunca abandonou, mesmo nos dias difíceis.
Ser Belo é mais do que torcer: é carregar no peito a Paraíba inteira. É sentir que, a cada gol marcado, não é só o Botafogo que vence, mas todo um povo que se reconhece na luta, na garra e na esperança.
Hoje, ao celebrar 94 anos, o Belo não olha apenas para trás. Olha adiante, com a mesma coragem com que nasceu, sonhando com novas conquistas, novos títulos e novos capítulos nessa história que parece não ter fim. Porque, no fundo, o Belo é isso: uma paixão que se renova a cada geração, que resiste ao tempo e que transforma cada torcedor em parte viva de sua eternidade.
Parabéns, Botafogo da Paraíba. Noventa e quatro anos de glória, luta e amor. E que venham muitos mais.
João Pessoa, setembro de 2025.
