Hospital Metropolitano viabiliza retorno de turista do Paraná após tratamento de síndrome de Guillain-Barré

Uma viagem de turismo a João Pessoa terminou em uma mobilização de profissionais de saúde de dois estados para garantir o tratamento e o retorno de uma paciente de 63 anos à sua terra natal. Após apresentar um quadro neurológico grave e ser diagnosticada com síndrome de Guillain-Barré, a mulher recebeu atendimento especializado no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires (HMDJMP), unidade gerenciada pela Fundação Paraíba de Gestão em Saúde (PB Saúde), em Santa Rita. Na última quarta-feira (23), após estabilização clínica, ela foi transferida de avião para o Paraná, onde dará continuidade ao tratamento próximo dos familiares.

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica rara em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, responsáveis pela comunicação entre o cérebro, a medula espinhal e outras partes do corpo. A condição pode provocar fraqueza muscular progressiva, alterações de sensibilidade e, nos casos mais graves, comprometer os músculos responsáveis pela respiração, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Do atendimento de urgência ao tratamento especializado

A paciente estava em João Pessoa, acompanhada de familiares, quando apresentou sintomas neurológicos agudos. Inicialmente, foi encaminhada ao Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Durante o atendimento, apresentou uma parada cardiorrespiratória e foi imediatamente encaminhada à sala vermelha, destinada aos pacientes em estado crítico. Após aproximadamente quatro minutos de manobras de reanimação, houve retorno da circulação espontânea.

Os exames de imagem não identificaram lesões compatíveis com AVC isquêmico, e a equipe médica passou a investigar a hipótese de síndrome de Guillain-Barré. Diante da gravidade do quadro, a paciente foi transferida, em 27 de agosto, por meio da Regulação Estadual, para o Hospital Metropolitano, referência em neurologia na Paraíba. Na unidade, ela foi admitida diretamente na UTI Neurológica, onde recebeu tratamento com imunoglobulina, hidratação e medidas de suporte. Durante a internação, passou por procedimentos necessários à assistência respiratória, incluindo traqueostomia, e apresentou evolução clínica favorável.

A coordenadora médica do Núcleo Interno de Regulação do Hospital Metropolitano, Carol Lucena, destacou a atuação das equipes envolvidas desde o primeiro atendimento até a transferência para a unidade especializada. “Aqui ela foi conduzida na UTI neurológica com toda a equipe de prontidão, e neste tempo que ela esteve aqui, foi extubada e fez traqueostomia”, relatou.

Retorno ao Paraná e continuidade do tratamento

Após a estabilização clínica, as equipes iniciaram a organização da transferência interestadual, com o objetivo de garantir a continuidade da assistência e permitir que a paciente permanecesse próxima de sua rede de apoio familiar.

A operação foi concretizada no dia 23 de setembro, com o apoio do estado do Paraná, que disponibilizou uma aeronave para realizar o transporte. A paciente viajou acompanhada do esposo, em um voo de aproximadamente quatro horas, com suporte durante o deslocamento. O destino foi o Hospital do Rocio, localizado em Campo Largo, no Paraná, onde ela foi recebida para dar continuidade ao tratamento e à recuperação.

Para Carol Lucena, a transferência representou uma etapa importante do cuidado, resultado da articulação entre os serviços de saúde dos dois estados “Hoje é um dia bastante especial, onde a gente conseguiu realizar a desospitalização e repatriação de uma paciente de 63 anos que veio do Paraná para realizar turismo em João Pessoa e que teve sintomas neurológicos”, afirmou. A médica também destacou a importância do retorno da paciente ao convívio familiar. “Esperamos que ela continue cada vez mais apresentando melhora de todos os sintomas.”

Humanização marca atendimento à família durante internação

Morador de Palmeira, no Paraná, José Amâncio dos Santos, esposo da paciente, acompanhou o atendimento desde a entrada no Hospital de Trauma até a internação no Hospital Metropolitano. O que começou como uma viagem de lazer se transformou em um período de preocupação e incerteza para a família. Diante da situação, José Amâncio destacou o acolhimento recebido pelas equipes de saúde paraibanas.

“Queria agradecer a todo o atendimento que tivemos nos dois lugares, aos médicos. É uma questão de humanização tratar gente como gente, a gente sai do Paraná e chega aqui e é bem tratado”, afirmou. Para ele, a atenção dos profissionais fez diferença durante a permanência da família longe de casa.
“Que vocês saibam que estão lidando com vidas que são muito importantes, quem sai de um lugar pra outro, vai para passear e acaba passando por isso, e aqui fomos bem tratados.”

O retorno ao Paraná representa uma nova etapa na recuperação da paciente, que segue recebendo assistência especializada, agora próxima de seus familiares. O caso evidencia a importância da integração entre os serviços de saúde, desde o atendimento de urgência até a assistência especializada e a organização de transferências entre estados, garantindo a continuidade do cuidado mesmo quando o paciente está longe de sua cidade de origem.