DE MARIA BONITA ÀS MULHERES DE HOJE – NOVO artigo de Demétrius Faustino

DE MARIA BONITA ÀS MULHERES DE HOJE

 

Demétrius Faustino

 

O sertão sempre contou histórias de coragem. Algumas são narradas em voz alta, outras ficaram espalhadas pelo vento das caatingas. Entre essas histórias está a de Maria Bonita, mulher que entrou para o imaginário popular como símbolo de ousadia em um tempo em que o destino feminino parecia já estar escrito.

Na década de 1930, quando o sertão era dominado por costumes rígidos e expectativas duras para as mulheres, Maria Bonita tomou uma decisão que rompeu padrões: deixou a vida comum e seguiu ao lado de Lampião, entrando para o universo do cangaço. Não foi apenas companheira; tornou-se a primeira mulher a integrar de forma efetiva aquele ambiente até então exclusivamente masculino.

Sua presença mudou muita coisa. Depois dela, outras mulheres passaram a integrar os bandos, mostrando que até mesmo num dos cenários mais ásperos da história nordestina havia espaço para a coragem feminina. Maria Bonita virou símbolo de uma mulher que não aceitou apenas o papel que lhe foi reservado.

Mas a história das mulheres não parou no sertão.

Décadas depois, o Brasil viu surgir outras figuras femininas que também desafiaram limites. Na política, por exemplo, o país chegou a ter sua primeira presidente, Dilma Rousseff, algo que durante muito tempo parecia impensável. Na ciência, pesquisadoras lideram estudos importantes. Na educação, milhares de professoras formam gerações inteiras. Na música, nas artes, no direito, na agricultura e no comércio, mulheres ocupam cada vez mais espaços.

E talvez a maior transformação esteja justamente no cotidiano.

Hoje, a mulher que administra uma empresa, a agricultora que sustenta a família no interior, a estudante que sonha com a universidade, a professora que transforma vidas em sala de aula ou a trabalhadora que enfrenta a rotina diária são parte de uma mesma história de avanço.

De Maria Bonita, que desafiou o destino no sertão, até a mulher contemporânea que constrói seu próprio caminho em tantas áreas da sociedade, existe um fio invisível que liga gerações: a coragem de não aceitar limites impostos.

O Dia Internacional da Mulher lembra exatamente isso. Cada época teve suas lutas, suas conquistas e suas mulheres que abriram caminhos. E graças a elas, as mulheres de hoje podem caminhar um pouco mais longe — deixando o caminho mais aberto para as que virão amanhã. 

Celebrar esse dia é reconhecer que, se o mundo segue adiante, é porque incontáveis mulheres, todos os dias, insistem em fazê-lo florescer.

João Pessoa, 8 de março de 2026.