VOCÊ SE LEMBRA DE TERERÉ?
O desportista José Walter Marinho Marsicano nasceu na arborizada e então pacata cidade de João Pessoa, no dia vinte e quatro de novembro de mil novecentos e trinta e quatro. Todavia, no meio futebolístico ele ficou conhecido e admirado pelo apelido de “Tereré”.
Tereré era funcionário público, precisamente da Receita Federal, onde completou o tempo necessário de serviço e se aposentou. Porém, o que ele mais gostava era de futebol e, principalmente, do seu Santos Futebol Clube, que, com o passar do tempo, foi batizado pela vox populi como sendo o “Santos de Tereré”.
Tereré, juntamente com outros jovens, passou a jogar no Santos Futebol Clube. Em 1955, ele deixou de jogar futebol e passou exclusivamente a dirigir os destinos de um clube que viria a ser muito importante na formação atlética e de vida de milhares de jovens. Daí em diante nasceu uma relação cotidiana de amor, de doação e dedicação que só acabaria com a sua morte, ocorrida no dia seis de agosto de mil novecentos e noventa e nove.
Foram várias décadas de alegrias, tristezas, sonhos e realizações de um desportista que vivia para o futebol, e não do futebol, como lamentavelmente ocorre muito nos dias atuais. Ele era um verdadeiro abnegado pelo Santos Futebol Clube.
Inúmeras crianças calçaram pela primeira vez um par de chuteiras, vestiram um padrão oficial e adentraram em um campo gramado por causa dos esforços daquele desportista que, nos dias atuais, faz enorme falta.
Quem não se lembra de Val, Givaldo, Babá, Vuca, Zé Ruy, Dadá, Ademar, Zito Camburão, Vandinho, Leonardo, Raimundo, Saulo, Chico Ramalho, Eudes, Ary, Regis Guru, Marcos do Boi, Esquerdinha e tantos outros que surgiram no Santos desta capital graças ao empenho de Tereré e de seus companheiros de diretoria?
Mesmo sem os ricos patrocínios de hoje, todo ano aquele time, que mesclava jogadores jovens com veteranos, disputava com raça e garra o Campeonato Paraibano de profissionais. Por várias vezes assisti, no campinho da Graça, aos grandes times formados por Botafogo, Treze e Campinense suarem muito para vencer os guerreiros do Santos do saudoso Tereré.
Os títulos amadores conquistados foram muitos, pois a agremiação era uma espécie de celeiro que anualmente revelava bons garotos. Um dos títulos sempre lembrados pelos santistas foi a conquista do campeonato invicto, quando a equipe amadora era dirigida tecnicamente pelo comentarista Ivan Bezerra de Albuquerque.
Outros títulos importantes, que brilham na galeria de troféus do clube, são as taças de campeão e de vice-campeão da segunda divisão, conquistas nos longínquos anos de 1995 e 1997. Em 1998, a agremiação resolveu abandonar o seu departamento de futebol profissional. Hoje, o Santos Futebol Clube concentra suas atividades nas denominadas categorias de base, mantidas através de seu Centro de Treinamento existente no conjunto habitacional do Geisel, um patrimônio que faz jus à história do alvinegro.
No próximo dia 29/03/26, às 08 horas, a equipe 60tão do Causos e Lendas estará jogando uma partida amistosa no campo do Santos contra o time Frei Caneca, oportunidade em que homenageará o abnegado Tereré.
