ENTRE O QUE PASSOU E O QUE INSISTE EM VIR
Demétrius Faustino
2025 foi um ano de transição. Não daqueles que entram para a história como revolucionários, mas dos que rearrumam o terreno para o que vem depois. Um ano marcado mais por ajustes do que por rupturas, mais por tentativas do que por certezas.
Assim, 2025 pode ser compreendido como aquele ano que não entrega respostas definitivas, mas formula as perguntas certas; que não fecha ciclos, mas os reorganiza. Um ano que prepara o terreno, ajeita as bases e sinaliza que as transformações mais profundas ficaram reservadas para o tempo seguinte.
No mundo, a sensação foi de cansaço acumulado. As transformações tecnológicas continuaram avançando, rápidas, às vezes atropeladas, exigindo adaptação constante. Muita gente sentiu que precisava reaprender a trabalhar, a estudar e até a se relacionar. Ao mesmo tempo, cresceu um movimento silencioso de valorização do simples: menos excesso, mais sentido.
No Brasil, 2025 seguiu o roteiro conhecido. Política tensa, debates acalorados, promessas, cobranças e uma população que aprendeu a desconfiar sem deixar de esperar. A economia deu sinais contraditórios: algum fôlego em certos setores, aperto em outros. Para a maioria, foi um ano de segurar firme, fazer conta, improvisar e seguir em frente.
Socialmente, foi um ano de introspecção. Muitas pessoas repensaram prioridades, encerraram ciclos, mudaram de rumo ou, pelo menos, passaram a questionar antigos hábitos. Houve menos euforia e mais reflexão. Menos discurso grandioso e mais conversa baixa, quase confidencial.
E 2026 surge justamente desse caldo. A expectativa é de um ano mais decisivo. Se 2025 foi de ajuste, 2026 tende a ser de escolha. Escolhas políticas, econômicas e pessoais. O que foi apenas ensaiado agora precisará ser colocado em prática. Não haverá tanto espaço para empurrar com a barriga.
Espera-se um cenário ainda desafiador, mas com mais clareza. As cartas começam a ficar viradas para cima. Projetos amadurecidos em 2025 podem ganhar forma. Conflitos mal resolvidos tendem a aparecer com mais força. E a sociedade deve cobrar mais resultado e menos discurso.
Se 2025 ensinou a desacelerar e observar, 2026 promete exigir posicionamento. Não necessariamente um ano fácil, mas possivelmente mais honesto. Daqueles em que não dá mais para fingir que não viu, nem adiar o que já está batendo à porta.
No fim das contas, 2026 carrega uma esperança cautelosa: a de que, depois de tanto ajuste, seja possível avançar — nem que seja um passo de cada vez, mas agora com mais consciência do caminho que se quer seguir.
João Pessoa, 31 de dezembro de 2025.
