ATÉ QUE ENFIM, SOMOS CAMPEÕES
Demétrius Faustino
Demorou. E como demorou.
Demorou mais do que a gente queria, mais do que a gente merecia, mais do que o coração aguentava. Teve ano que parecia que ia… e não foi. Teve jogo que ficou atravessado na garganta. Teve silêncio depois do apito final que doía mais do que qualquer derrota. Houve temporadas em que a esperança nasceu forte e morreu cedo demais. Houve tardes em que a arquibancada foi embora em silêncio, carregando nos olhos aquele vazio de quem acreditou até o último minuto.
Mas hoje não.
Hoje é diferente.
Hoje, o BELO é campeão. E não é só um grito — é um desabafo. É como se cada torcedor estivesse tirando do peito tudo aquilo que ficou guardado por tanto tempo. É um acerto de contas com o tempo. É como se todos os “quase” finalmente encontrassem um desfecho. Como se cada frustração acumulada se transformasse, de repente, em combustível para esse instante.
Até que enfim.
Até que enfim a bola entrou quando tinha que entrar.
Até que enfim o apito final veio do nosso lado.
Até que enfim a gente pôde sorrir sem medo, gritar sem receio, comemorar sem olhar para trás.
Hoje é certeza.
Hoje é peito aberto.
Hoje é grito solto.
Porque ser do Belo nunca foi fácil. Nunca foi só sobre vitória. Sempre foi sobre insistir, acreditar, voltar no outro jogo, mesmo depois de cair.
E talvez seja por isso que esse título pesa mais.
Ele não veio de graça. Veio carregado de história, de luta, de arquibancada cheia de fé. Veio no suor de quem nunca abandonou, de quem sempre disse “esse ano vai”, mesmo quando tudo dizia que não.
Hoje, foi.
E quando o Botafogo paraibano levanta essa taça, não é só um time que comemora. É João Pessoa inteira, é a Paraíba inteira, é cada torcedor que esperou, que acreditou, que sofreu.
Mas agora… agora é só alegria.
Porque, finalmente, sem dúvida, sem engasgo, sem medo de dizer:
Até que enfim… somos campeões.
João Pessoa, março de 2026.
