Serpa Di Lorenzo relembra artigo “Futebol no Inferno”

FUTEBOL NO INFERNO

No futebol do inferno
Está grande a confusão
Vai haver melhor de três
Pra ver quem é campeão.
Será o time de Satanás
Ou o quadro de Lampião?

No time de Satanás
Só joga quem tiver marra
Quando vão bater o pênalti
O goleiro sai da barra
Ele mesmo chuta a bola
Corre e ainda agarra.

O juiz apita nu
Com a mão no bolso furado
São dezoito jogadores
Nove pra cada lado
E todo diabo lá
Assiste o jogo sentado

O campo tem quatro barras
Mas só jogam dois goleiros
Jogam cinco no ataque
Na defesa dois zagueiros
E lá as arquibancadas
Eles chamam de poleiros

Por jogarem com cem bolas
Deixam a defesa indecisa
E se um cão segurar
O outro pela camisa
Recebe o cartão vermelho
E leva mais uma pisa

Toda vez que sai um gol
Não botam a bola pro meio
Lá não tem tiro de meta
Dois toques nem escanteio
O intervalo do jogo
eles chamam de recreio

São dez juízes reservas
Que ficam de prontidão
Os trajes são diferentes
Pra não haver confusão
Joga um time sem camisa
E o outro sem calção

A bola pesa cem quilos
E é aço maciço
Se um jogador for expulso
Leva um cacete roliço
E quando o jogo termina
Toma um bom chá de sumiço

São quarenta mil soldados
Armados de mosquetão
O juiz apita o jogo
Com uma granada na mão
Pra sacudir no primeiro
Que fizer reclamação

Querem adiar o jogo
Para o dia de juízo
Porque quando chove muito
A renda da prejuízo
Pensam até em transferir
O jogo pro paraíso.

Autor José Soares.
Extraído do livro Para Rir Até Chorar …Com a Cultura Popular, do escritor Marcos Antônio P. De França.

Qualquer semelhança com o antigo campeonato do Varjão, organizado pelo vereador Naná Montenegro é mera coincidência.