DE DUAS, UMA
Demétrius Faustino
No país em que o povo vem acompanhando, atônitos e estarrecidos, os sinais progressivos e velozes de uma tragédia anunciada, a instalação e início dos trabalhos da CPI da Pandemia, é sem dúvida adversa ao presidente Bolsonaro, além de decisiva para aplainar o caminho para o seu impeachment ou para uma derrota nas eleições de 2022. De duas, uma.
Parece-nos que os mortos que Bolsonaro fez ofensas agora ajudarão a enterrá-lo politicamente, até porque ele não tem como escapulir de uma dura decisão, porquanto não merece nenhum tipo de desculpa, e nenhum perdão pelo que fez e faz.
Pode até conseguir escapar do impeachment, mas não conseguirá se livrar da enxurrada enfurecida que se abaterá sobre ele na campanha eleitoral, e ainda no primeiro turno, pois além do corpo pesado dos mortos, terá contra si o peso dos vivos, dos milhões de: desempregados, semiempregados, dos famintos, de ofendidos, e de desesperançados. Apenas os bolsonaristas despojados de bom senso irão votar nele.
E mais, além de se dilacerar pela CPI, Bolsonaro não terá tempo para se restabelecer, pelo simples fato de que enquanto vários países estarão encaminhando a conclusão dos processos de vacinação no final do primeiro semestre, o Brasil arrastará o seu processo até o final do ano. Sem esquecer o risco de novas ondas de covid.
As mortes continuarão crescendo e a economia continuará patinando, pois em Paulo Guedes só há discurso sem nexo, vazio de conteúdo, sem nenhum programa ou plano econômico para enfrentar as dificuldades de uma economia estagnada. Assim será o ano de 2021.
Enfim, o governo não terá quase nada a exibir há não ser provas de desgoverno, de ataques à democracia, de ofensas, de mentiras, de desrespeito, de incitação à violência, de uma família envolta em mal feitos, de plantio de ódios, de divisão da sociedade e do Brasil.
Não há dúvidas de que na campanha de 2022, Bolsonaro sofrerá ataques em forma de turbilhão, pois tanto Lula quanto a centro-direita terão que atacá-lo, em razão da conjuntura da campanha, pois sem força para dar um golpe, cada vez mais solitário politicamente, perdendo apoio no empresariado e em sua base eleitoral, sem capacidade de reação na economia, a inclinação é a de que sua força se torne cada vez mais anêmica com esses ataques.
E após a permissão do STF para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte a disputar eleições, e pelos sinais que vêm dando, ele e o PT tendem a buscar uma forte aliança para vencer “o mito”.
Para tanto, as definições lideradas pela alta cúpula já estão sendo costuradas, e com isso o PT tem ganho musculatura para ampliar o poder de diálogo nos estados e municípios. Não cremos que o apoio de Marina a Cyro Gomes, consiga isolar o PT.
No mais, só o tempo, as predileções e os acontecimentos desenredarão.
João Pessoa, maio de 2021.
